Lídia Baís – artista mulher
Lídia Baís (1901-1985), artista nascida
no início do século passado de família abastada, numa época em que mulher não
votava, não tinha voz ativa, dentro desse ambiente hostil buscou ter voz própria,
se manifestou através de linguagens artísticas como o desenho e a pintura, foram
sem dúvida atitudes arrojadas, em especial por não seguir os cânones culturais estabelecidos
para as mulheres de seu tempo. Lídia parece ter sido muito sozinha e frágil, mas teve a oportunidade de viajar
pela Europa e lá encontrar algumas das personagens mais marcantes das artes modernistas
brasileiras, como Ismael Nery e Murilo Mendes, este último chegou a escrever a
Mário de Andrade que a considerava uma artista universal. Com eles estabeleceu diálogos
dos quais existem testemunhos epistolares, criou uma rede cultural de grande
inovação para o seu tempo.
A
importância da obra de Lídia também passa pelo fato de ter vivido e desenvolvido
sua obra artística na primeira metade do século XX, em Campo Grande cidade
carente culturalmente, onde as artes visuais estavam quase ausentes e mesmo
assim persistiu e produziu obras com caráter questionador. Lídia foi artista
próxima às questões do modernismo, abordou as rupturas das formas de
representação, ousou nos temas, fez uso de paleta menos sóbria, colocou a
figura feminina em primeiro plano como um canto libertador.
Campo
Grande, cidade de céu pintado diariamente com paletas de múltiplos azuis e
nuvens que parecem nos abraçar, certamente influenciou esta artista que mesmo
depois de ter viajado por terras distantes voltou e por aqui ficou a viver. As
suas vivências fragmentadas podem tê-la transformado em uma pessoa mais questionadora,
procurou respostas através da sua produção artística, soube partilhar as
profundas dores individuais, que no fundo são as dores de todos nós seres
humanos.
Reconheço na sua obra artística vigor temático
e ousadia plástica. Lídia Baís se manifestou com pensamentos próprios de ordem
estética, espiritual, política e social, foi uma artista mulher de coragem
dentro de um universo essencialmente masculino.
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